Equipa interna ou externa de desenvolvimento de software (2026)

Para decidir entre uma equipa interna ou externa de desenvolvimento de software, comparem as duas opções nos mesmos critérios e no mesmo horizonte de 3 anos, e não um salário contra uma fatura. A equipa interna ganha quando o software é o vosso produto e o trabalho dura anos. A externa ganha numa primeira versão, num âmbito delimitado ou quando falta uma competência. Muitas PME acabam num modelo híbrido. Quem escreve é a Unlocking Tech, uma empresa portuguesa de engenharia de software e IA, sediada em Lisboa e fundada em 2022, que desenvolve software à medida e coloca engenheiros e equipas noutras empresas; por isso, as contas ficam à vista, para as refazerem.
Verificado a 8 de novembro de 2026, nas fontes ligadas no texto (oficiais para a lei e as taxas). Informação geral, não aconselhamento jurídico nem fiscal: confirmem as contas com o contabilista.
TL;DR:
- Comparem o custo total a 3 anos. Um engenheiro com €3.500 brutos por mês custa à empresa cerca de €63.800 por ano, €5.300 por mês (14 salários, TSU de 23,75%, seguro, refeição), antes de recrutamento, equipamento e rampa.
- A resposta depende da capacidade de que precisam. No exemplo ilustrativo abaixo, uma primeira versão externa com manutenção custa ~€52.000 em 3 anos; dois engenheiros internos, ~€415.000, mais baratos do que dois externos a tempo inteiro, mas a arrancar 3 a 5 meses mais tarde.
- Na Unlocking Tech, a maioria dos projetos fica entre €15.000 e €50.000, a preço fixo acordado antes do código de produção, com a primeira versão em produção 9 semanas (mediana) depois do diagnóstico.
Como comparar equipas de desenvolvimento de software personalizado e equipas internas?
Comparem as duas opções nos mesmos critérios (custo total a 3 anos, tempo até arrancar, controlo, conhecimento que fica, risco de pessoas, escalabilidade e gestão necessária) e pontuem cada um com evidências, não com impressões. A equipa interna compensa quando há trabalho contínuo para anos; a externa, quando há um âmbito delimitado ou uma data. Na Unlocking Tech, a maioria dos projetos fica entre €15.000 e €50.000, a preço fixo acordado antes do código de produção.
| Critério | Equipa interna | Equipa externa |
|---|---|---|
| Custo total a 3 anos | Salário anual (14 pagamentos) × ~1,3, mais recrutamento, equipamento, rampa e substituições | Projeto ou valor mensal, mais o vosso tempo de gestão e o IVA, se não o deduzem |
| Tempo até arrancar | Recrutamento + 30 ou 60 dias de aviso prévio (até seis meses em cargos de direção) + rampa | Semanas: o fornecedor já tem as pessoas |
| Controlo do dia a dia | Total | Total em staff augmentation; definido pelo âmbito num projeto fechado |
| Conhecimento que fica | Dentro de casa, enquanto as pessoas ficam | Nos vossos repositórios, se lá trabalharem; senão, no fornecedor e no que fica documentado |
| Competências | As que conseguirem contratar e reter | Mais perfis, à medida de cada fase |
| Conhecimento do negócio | Cresce dentro de casa, com o tempo | Tem de ser passado ao fornecedor; peçam quem já trabalhou no vosso setor e contem com semanas de contexto |
| Segurança e acessos | Políticas e contas vossas | Acessos individuais e revogáveis, NDA e acordo de tratamento de dados se houver dados pessoais |
| Risco de pessoas | Uma saída para o trabalho até haver substituição | O fornecedor substitui; o risco passa a ser a dependência |
| Escalabilidade | Lenta a crescer, cara a encolher | Habitualmente mensal, com pré-aviso |
| Gestão necessária | Liderança técnica, avaliações, carreira, formação | Um responsável de produto do vosso lado |
| Código e PI | Da empresa, por defeito, se criado no exercício de funções (há exceções) | Do cliente, por defeito, se encomendado (há exceções); escrevam-no |
| Previsibilidade do custo | Fixa enquanto a equipa não muda | Fixa num preço fixo; variável em tempo e materiais |
Equipa interna ou externa: qual é a diferença na prática?
A diferença está em quem gere o trabalho, no que entra no custo a 3 anos, no risco que fica do vosso lado e em onde fica o conhecimento no fim. "Externa" não é um modelo, são três:
| Modelo | Quem gere o dia a dia | O que entra no custo a 3 anos | Risco que fica convosco | Onde fica o conhecimento |
|---|---|---|---|---|
| Contratação interna | Vocês | Salário × 14, encargos, recrutamento, equipamento, rampa e substituições | Saídas e vagas por preencher | Na equipa, enquanto as pessoas ficam |
| Staff augmentation | Vocês | Valor mensal por engenheiro, mais a vossa gestão técnica | A gestão da entrega | Nos vossos repositórios e documentação |
| Equipa dedicada | O fornecedor, convosco | Valor mensal por equipa, mais o vosso product owner | A dependência do fornecedor | Na equipa do fornecedor e, se trabalhar nos vossos repositórios e documentação, convosco |
| Projeto de âmbito fechado | O fornecedor | Preço fixo, alterações de âmbito e manutenção | Um âmbito mal definido à partida | Na entrega: código, documentação, runbook |
Escolhe-se pelo que já têm em casa. Com um tech lead e falta de mãos: staff augmentation. Com um roadmap longo e ninguém para gerir a entrega: equipa dedicada. Com um resultado e uma data: projeto fechado.
Quanto custa uma equipa interna de desenvolvimento em Portugal?
Um engenheiro custa à empresa cerca de 1,3 vezes o salário bruto anual (14 pagamentos), já com os encargos, e mais no primeiro ano, com recrutamento, equipamento e o tempo até ser produtivo. Os salários por função estão no guia quanto custa desenvolver software à medida. Aqui fica o que se soma ao salário, para €3.500 brutos por mês. São faixas de mercado, não é orçamento:
| Linha | Regra e fonte | Exemplo |
|---|---|---|
| 14 pagamentos | Subsídio de Natal de um mês, pago até 15 de dezembro (art. 263.º, n.º 1, do Código do Trabalho); subsídio de férias além da retribuição das férias (art. 264.º, n.º 2) | €3.500 × 14 = €49.000 |
| TSU da empresa | 23,75% da remuneração, regra geral; o trabalhador desconta mais 11% (ePortugal, atualizado a 7/9/2026) | €11.637,50 |
| Seguro de acidentes de trabalho | Obrigatório (Lei 98/2009, art. 79.º, n.º 1). O prémio é uma taxa sobre a massa salarial que varia com a atividade; o Tech Talent Trends 2025 da Landing.Jobs usa 1,19%. Peçam cotação. | ≈ €583 |
| Subsídio de refeição (se o pagarem) | Isento de IRS até €6,15 por dia em dinheiro, o valor da função pública em 2026 (Portaria 51-B/2026/1), ou até 70% acima, ≈ €10,46, em vales de refeição (Código do IRS, art. 2.º, n.º 3, b), 2), e n.º 14) | 220 dias × €10,455 ≈ €2.300 |
| Segurança e saúde no trabalho | A Landing.Jobs conta €250 por pessoa e por ano | €250 |
| Fundos de compensação | Hoje não pesam: o FCT deixou de receber contribuições e as do FGCT estão suspensas enquanto vigorar o acordo de rendimentos (FAQ oficiais). Confirmem para 2027. | €0 |
| Custo anual recorrente | ≈ €63.770 (≈ €5.300/mês) |
O que não aparece no recibo:
- Recrutamento. Uma agência cobra normalmente uma percentagem do salário anual; sem agência, paga-se em horas de quem entrevista. No exemplo usamos 15%, um pressuposto, não um dado verificado: peçam a tabela à agência.
- Tempo até chegar. O candidato que aceita tem de avisar o empregador atual com 30 ou 60 dias, conforme tenha até dois anos ou mais de antiguidade (art. 400.º, n.º 1, do Código do Trabalho); num cargo de direção ou com funções de responsabilidade, o contrato ou a convenção coletiva podem alargar esse prazo até seis meses (n.º 2). Com o recrutamento, planeiem 3 a 5 meses até a pessoa começar (estimativa nossa, não um dado medido), e depois alguns meses de rampa.
- Equipamento e licenças. No exemplo, €3.000 por pessoa no 1.º ano e €1.000 nos seguintes (pressuposto).
- Formação. Pelo menos 40 horas por ano por trabalhador (art. 131.º, n.º 2): uma semana de trabalho, mais os cursos.
- Rotatividade. Os profissionais de tecnologia em Portugal ficam, em média, 3,8 anos no mesmo emprego (Landing.Jobs, 2025). Numa equipa de dois, contem com uma substituição em 3 anos.
- Liderança técnica. Sem CTO ou tech lead, essa é a primeira contratação, não a segunda.
A favor da equipa interna: no SIFIDE II, o pessoal próprio em I&D pode ser despesa elegível, mas a I&D contratada fora só conta se a entidade for pública, de utilidade pública ou com idoneidade reconhecida (Código Fiscal do Investimento, art. 37.º, n.º 1, b) e e)). Atenção ao prazo: hoje, o SIFIDE II cobre os períodos de tributação até 2026 (art. 35.º), por isso não o contem como certo nos anos 2 e 3. Só vale para I&D a sério: ver o guia SIFIDE II para projetos de IA e software.
Quanto custa uma equipa externa, e o que entra na conta?
Uma equipa externa paga-se por preço fixo, por tempo e materiais ou por um valor mensal, e a fatura não é o custo todo: somem o tempo de quem decide do vosso lado, a passagem de conhecimento e, se não deduzem IVA, os 23%.
- Preço fixo por âmbito: o risco do âmbito fica no fornecedor, e reflete-se no preço. Serve uma primeira versão com âmbito estável.
- Tempo e materiais: paga-se a hora ou o dia; o risco do âmbito fica do vosso lado. Serve um produto que muda com o que se aprende.
- Valor mensal, por engenheiro ou por equipa: pagam capacidade, haja ou não backlog. Serve um roadmap contínuo.
A escolha entre os dois primeiros está em preço fixo ou tempo e materiais. O que costuma ficar fora do orçamento:
- Quem decide do vosso lado: um product owner, ou o fundador, a priorizar e a aceitar entregas. Sem ele, a equipa externa espera.
- Passagem de conhecimento: documentação, runbook e sessões custam dias. Ponham-nos no âmbito.
- Alterações de âmbito: num preço fixo, cada mudança tem preço próprio.
- Manutenção: 10–20% do custo de construção por ano, segundo as referências publicadas em Portugal.
- IVA: os salários não têm IVA; a fatura de um fornecedor tem 23% no continente (Código do IVA, art. 18.º). Quem tem atividade isenta pelo art. 9.º (atos médicos, ensino, formação profissional, seguros) não o deduz (art. 20.º), ou só deduz uma parte, pelo pro rata ou pela afetação real (art. 23.º); o IVA que não deduz passa a custo.
Na Unlocking Tech, um projeto de âmbito fechado tem preço fixo acordado antes do código de produção, e a primeira versão fica em produção, em mediana, 9 semanas depois do diagnóstico. Em staff augmentation e numa equipa dedicada, cobramos um valor mensal por engenheiro (sem fees de recrutamento) ou por equipa.
Exemplo: o mesmo software durante 3 anos, com equipa interna e com equipa externa
Neste exemplo ilustrativo, uma primeira versão externa com manutenção custa ~€52.000 em 3 anos, dois engenheiros internos ~€415.000 e dois engenheiros externos a tempo inteiro €420.000–€780.000 (faixas de mercado, não é orçamento): o que decide é a capacidade de que o produto precisa, não o preço por hora.
O caso: uma PME de distribuição quer um portal onde os clientes fazem encomendas e veem faturas, ligado ao ERP, e conta continuar a evoluí-lo. Pressupostos, para trocarem pelos vossos:
| Pressuposto (ilustrativo) | Valor |
|---|---|
| Engenheiro interno, por ano | €63.770 (secção anterior) |
| Recrutamento | €7.350 por contratação (15% do salário) |
| Equipamento e licenças | €3.000 no 1.º ano; €1.000 nos seguintes |
| Rotatividade | Uma substituição em 3 anos numa equipa de dois |
| Primeira versão a preço fixo | €40.000 |
| Evolução e manutenção | 15% por ano: €6.000 |
| Equipa externa a tempo inteiro | 2 × 200 dias × €350–€650 por dia (o pressuposto de tarifa do guia de custos); faixas de mercado, não é orçamento nem a tarifa da Unlocking Tech |
| Apoio externo no híbrido | €8.000 por ano |
| Fora da conta | Alojamento e tempo do product owner (iguais nas quatro); IVA de 23% nas faturas externas (B, C e a parte externa de D), que só pesa a quem não o deduz |
| A. Interna (2 engenheiros) | B. Projeto externo + manutenção | C. Externa a tempo inteiro (2) | D. Híbrido: v1 externa + 1 interno | |
|---|---|---|---|---|
| Ano 1 | €148.240 | €40.000 | €140.000–€260.000 | €82.235 |
| Ano 2 | €129.540 | €6.000 | €140.000–€260.000 | €72.770 |
| Ano 3 | €136.890 | €6.000 | €140.000–€260.000 | €72.770 |
| Total a 3 anos | €414.670 | €52.000 | €420.000–€780.000 | €227.775 |
| Primeira versão em produção | Mês 6 a 8 | ~Mês 3 | ~Mês 3 | ~Mês 3 |
| Capacidade | 2 pessoas | v1 + evolução pontual | 2 pessoas | v1 + 1 pessoa + apoio |
As contas: em A, os 3 anos contam-se a partir da entrada dos dois engenheiros, 3 a 5 meses depois da decisão, para comparar a mesma capacidade que C (contados a partir da decisão, como B, C e D, seriam ~€360.000–€385.000); o ano 1 é 2 × (€63.770 + €7.350 + €3.000) e o ano 3 soma o recrutamento de uma substituição (€7.350, sem contar a vaga nem a nova rampa); em D, o ano 1 é a v1 + meio ano do engenheiro contratado durante a construção (€31.885) + recrutamento e equipamento.
Como ler:
- Que capacidade precisam? Para uma v1 e evolução pontual, B custa uma fração de A. Com um só engenheiro interno, seriam ~€204.000 em 3 anos, e uma única pessoa a conhecer o sistema.
- Para duas pessoas durante 3 anos, a interna sai mais barata (€415.000 contra €420.000–€780.000), mas a v1 chega 3 a 5 meses mais tarde e o risco das saídas fica convosco.
- O híbrido põe a v1 em produção cedo e deixa o conhecimento em casa, por cerca de metade de A. É o que recomendamos quando o produto vai crescer sem ritmo conhecido.
- O que muda a resposta: a tarifa proposta, os salários reais, o IVA e o valor de ter o portal 4 meses mais cedo.
Como medir se uma equipa entrega?
Meçam as duas equipas com as mesmas métricas, tiradas do vosso repositório e do vosso pipeline: as cinco métricas de entrega do DORA, mais a previsibilidade. O guia de métricas do DORA (atualizado a 5 de janeiro de 2026) divide-as em débito e instabilidade:
| Métrica | O que mede | Sinal de alarme |
|---|---|---|
| Tempo de entrega de uma alteração | Do commit até à produção | Alterações paradas semanas à espera de uma "release" |
| Frequência de deploy | Quantas vezes vai código para produção | Deploys raros e enormes |
| Tempo de recuperação de um deploy falhado | Quanto demora a repor o serviço | Ninguém sabe responder |
| Taxa de falha de alterações | % de deploys que exigem intervenção imediata (rollback, hotfix) | Sobe sempre que a equipa acelera |
| Taxa de retrabalho de deploys | % de deploys não planeados, feitos por causa de um incidente | Mais correções do que funcionalidades |
| Previsibilidade (fora do DORA) | O prometido no ciclo contra o entregue | Promessas que derrapam sempre |
Três regras: as métricas vivem no vosso sistema, não num relatório do fornecedor; comparem a tendência da mesma equipa, não números de empresas diferentes; e peçam software a funcionar numa demo a cada uma ou duas semanas. Antes de um contrato longo, um piloto pago de 2 a 4 semanas, com critérios de aceitação escritos, vale mais do que uma proposta. Para avaliar o fornecedor em si, usem o guia como escolher uma empresa de desenvolvimento de software com IA.
Quem fica com o código, as contas e o conhecimento?
Por defeito, os direitos sobre um programa criado por um empregado no exercício das suas funções, ou feito por encomenda, pertencem à vossa empresa, "salvo estipulação em contrário ou se outra coisa resultar das finalidades do contrato" (Decreto-Lei 252/94, art. 3.º, n.º 3). Escrevam-no na mesma, e garantam que as contas e o conhecimento ficam do vosso lado, com equipa interna ou externa:
- Repositório na organização da vossa empresa, com vocês como administradores; o fornecedor é convidado.
- Contas cloud, domínio, lojas de apps e serviços de terceiros em nome da empresa.
- Credenciais num cofre da empresa, com acessos individuais que se revogam no dia em que alguém sai.
- Documentação e runbook: como pôr o sistema a correr, decisões de arquitetura e resposta a incidentes.
- Cláusula de propriedade intelectual explícita, no contrato de serviços e no de trabalho.
- Plano de saída: pré-aviso, sessões de passagem, o que se entrega e em que prazo.
- Dados exportáveis a qualquer momento, em formato aberto.
A lista vale também para a equipa interna: quando sai o único engenheiro que conhece o sistema, o problema é o mesmo. O resto do contrato está em o que tem de estar no contrato. Validem as cláusulas com um jurista.
Matriz de decisão: como pontuar as duas opções
Deem um peso a cada critério (a soma é 100%) e uma nota de 1 a 5 a cada opção, com evidências; o total é a soma de nota ÷ 5 × peso, até 100. Dois perfis com notas ilustrativas: a PME do portal e uma scale-up cujo produto é o próprio software.
| Critério | Peso PME | Interna | Externa | Peso scale-up | Interna | Externa |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Custo total a 3 anos | 25% | 2 | 4 | 20% | 4 | 2 |
| Tempo até à primeira versão | 20% | 2 | 5 | 10% | 2 | 5 |
| Controlo do dia a dia | 15% | 5 | 3 | 20% | 5 | 3 |
| Conhecimento que fica | 15% | 4 | 3 | 25% | 5 | 2 |
| Risco de pessoas | 10% | 2 | 4 | 10% | 2 | 4 |
| Escalabilidade | 10% | 2 | 4 | 10% | 2 | 4 |
| Gestão necessária | 5% | 2 | 4 | 5% | 2 | 4 |
| Total | 100% | 55 | 78 | 100% | 75 | 60 |
Pontuar com evidências quer dizer: um 5 em "tempo até à primeira versão" exige uma data num plano; um 4 em "conhecimento que fica" numa equipa externa exige a passagem no contrato; a nota de custo vem do exemplo refeito com os vossos números. Regra prática nossa: a menos de 10 pontos de diferença, o híbrido costuma ser a resposta.
Quando escolher equipa interna, externa ou um modelo híbrido?
Interna quando o software é o vosso produto e há trabalho para anos; externa para uma primeira versão, um âmbito delimitado, uma competência que falta ou uma data apertada; híbrida quando precisam de chegar depressa e querem o conhecimento em casa.
- Interna: o backlog enche pelo menos uma pessoa a tempo inteiro, sem fim à vista; já têm quem lidere tecnicamente; podem esperar 3 a 5 meses.
- Externa: uma primeira versão, uma ferramenta interna ou uma integração com fim; uma competência (IA, DevOps, mobile) que não justifica um posto permanente (para IA, as três vias estão no guia departamento de IA); uma data que o recrutamento não cumpre.
- Híbrida: o produto vai crescer, mas não sabem a que ritmo; querem o produto e a arquitetura em casa e a execução, ou parte dela, fora.
O caminho de transição: da equipa externa para a interna
- A equipa externa constrói a primeira versão com âmbito fechado, nos vossos repositórios e contas.
- Durante a construção, abrem a vaga do primeiro engenheiro interno: os meses de recrutamento correm em paralelo.
- O engenheiro interno entra nos últimos sprints, faz code review e participa nas decisões de arquitetura.
- Passagem formal, com documentação, runbook e um período de apoio da equipa externa.
- Contratam o segundo quando o backlog enche duas pessoas, e mantêm a equipa externa para picos e competências raras.
Onde entra a Unlocking Tech (e quando vos dizemos para contratar)
A Unlocking Tech é uma empresa portuguesa de engenharia de software e IA, sediada em Lisboa e fundada em 2022, que trabalha nos três modelos externos:
- Projeto de âmbito fechado: a maioria fica entre €15.000 e €50.000, a preço fixo acordado antes do código de produção; código, repositório e propriedade intelectual são do cliente desde o primeiro dia, com documentação e runbook para outra equipa continuar.
- Staff augmentation: engenheiros séniores na vossa equipa; a maioria arranca em 2 a 3 semanas, com contrato mensal.
- Equipa dedicada: para um roadmap longo, com o backlog decidido por vocês.
Um exemplo de modelo híbrido: a Right-On-Skill, empresa de formação em IA fundada no Luxemburgo, tinha um único responsável técnico a segurar toda a arquitetura. Colocámos um Tech Lead e um Frontend Developer; o primeiro ficou integrado duas semanas depois do briefing, nenhum perfil proposto foi rejeitado, e a arquitetura continuou nas mãos do cliente. A colaboração continua passados mais de 12 meses (caso da Right-On-Skill).
Quando vos dizemos para contratar: na nossa própria comparação de modelos, a contratação interna é a melhor opção quando a função é permanente e central. Se o software é o vosso produto e o trabalho não acaba, contratem, e usem uma equipa externa só para lá chegar mais depressa. Os modelos e os casos estão em desenvolvimento de software à medida; para comparar fornecedores, vejam a comparação de 20 empresas de desenvolvimento de software em Portugal.
Se um dado aqui está errado ou mudou, escrevam-nos pela página de contacto: corrigimos e atualizamos a data de verificação.
Perguntas frequentes
Como comparar equipas de desenvolvimento de software personalizado e equipas internas?
Nos mesmos critérios e no mesmo horizonte de 3 anos: custo total, tempo até arrancar, controlo, conhecimento que fica, risco de pessoas, escalabilidade e gestão necessária. Somem todos os custos de cada lado, incluindo recrutamento e rotatividade na interna e gestão, manutenção e IVA não dedutível na externa, e pontuem cada critério de 1 a 5 numa matriz com pesos que somam 100%.
Quanto custa uma equipa interna de dois engenheiros durante 3 anos?
No nosso exemplo ilustrativo, ~€415.000: dois engenheiros a ~€63.770 por ano cada, mais o recrutamento (15% do salário), o equipamento e uma substituição em 3 anos, contados a partir da entrada das duas pessoas. Como o recrutamento demora, a primeira versão só fica em produção entre o mês 6 e o mês 8. São faixas de mercado, não é orçamento: refaçam a conta com os vossos salários.
Quanto custa um programador a uma empresa em Portugal?
Cerca de 1,3 vezes o salário bruto anual, contado com os 14 pagamentos. Com €3.500 brutos por mês, são ~€63.800 por ano, ou €5.300 por mês: 14 salários, TSU da empresa de 23,75%, seguro de acidentes de trabalho, subsídio de refeição e saúde no trabalho. No primeiro ano somam-se recrutamento, equipamento e rampa. São faixas de mercado, não é orçamento.
Quanto tempo demora a montar uma equipa interna de desenvolvimento?
Planeiem 3 a 5 meses para a primeira pessoa (estimativa nossa): as semanas de recrutamento, mais 30 ou 60 dias de aviso prévio ao empregador atual, conforme a antiguidade do candidato (art. 400.º do Código do Trabalho), ou até seis meses num cargo de direção, se o contrato ou a convenção coletiva o previrem. Depois, alguns meses de rampa. Uma equipa de três ou quatro demora mais.
O que é um modelo híbrido de desenvolvimento de software?
É juntar as duas equipas: a decisão de produto e a arquitetura ficam em casa, e a construção, ou parte dela, fica numa equipa externa. O caminho mais comum é a equipa externa construir a primeira versão enquanto a empresa contrata o primeiro engenheiro interno, que recebe a passagem com documentação e runbook.
Que contas e acessos devem estar em nome da empresa desde o primeiro dia?
O repositório, na organização da empresa e com vocês como administradores; as contas cloud, o domínio, as lojas de apps e os serviços de terceiros; e um cofre de credenciais com acessos individuais, que se revogam no dia em que alguém sai. Vale para a equipa interna e para a externa. Juntem documentação, runbook e um plano de saída com prazo, para que outra equipa consiga continuar.

